Política / Missão

O ocidente, mas provavelmente o mundo todo, caminha para atingir o fim de um ciclo da civilização. Os recursos naturais são limitados, o aumento da população, com todos os seus desafios (sócio-ambiental, econômico, político, urbano, educacional, médico...) têm mostrado isso. O mundo da produção e da tecnologia, muito associado ao consumo como um progresso social, muda lentamente através de crises e decisões drásticas.

 

Os seres humanos perdem valores ancestrais que os estabilizavam até então e entram em um mundo cada vez mais inseguro, destrutivo e desestabilizador.

 

Deixamos o “Modernismo" e a revolução industrial para entrar nas redes de computadores e bancos de dados, que na maioria das vezes nos ultrapassam.

 

O que se segue é uma comunicação excessiva que é caracterizada, na maioria das vezes, por seu caráter vazio, pobre, com foco no individualismo, o medo da solidão ou em interesses pessoais e empresariais.

 

Possuímos uma tecnologia extraordinária, mas que não preenche o vazio da existência das nossas vidas.

 

Essa mediocridade também corta algumas oportunidades importantes, evitando o contato real com a nossa essência.

 

Novos “jogos de circo” são inventados: internet, televisão, equipes esportivas, culto à personalidade, culto do corpo. Essas representações devem a todo custo nos convencer da nossa eficiência e que somos maravilhosos, seres luminosos e muito importantes e fortalecer as identificações com modelos condicionados e representações focadas unicamente na exterioridade.

 

O culto da ilusão, a recusa à sombra e à fraqueza, cria novas necessidades, define nossos pensamentos, manipula nossas emoções pela busca do espetacular e estimula os nossos medos a fim de estabelecer as nossas dependências.

 

Ao mesmo tempo, tudo isso pode trazer algo positivo. Portanto não é necessário um combate que anule esses comportamentos. Mas eles tornam mais complicadas a relação autêntica consigo mesmo e com os outros, tendo como consequências o aparecimento da: frustração, nostalgia, medo, depressão, drogas, o consumo de relações efêmeras, o apego sentimental ao passado, etc.

 

Se a nossa cultura está se esgotando, se esclerosando, um movimento interessante seria buscar voltar a valores estáveis, validados, a fim de reencontrar as nossas raízes o que permitiria o surgimento de movimentos novos e melhor orientados. Ao mesmo tempo, todas as culturas, tradições, religiões são parciais – nenhuma delas pode pretender uma compreensão cultural total da realidade. Mas cada uma delas fala do homem, de sua invariância, independentemente do tempo e do espaço. E como todas as culturas destacaram alguns aspectos e negligenciaram outros, certo nomadismo cultural torna-se necessário para compreender o ser humano de maneira mais global. Essa compreensão global necessita também de um diálogo entre os conhecimentos científicos e os saberes das culturas tradicionais.

 

Pretendemos integrar a pluralidade no quadro de um modelo global (transcultural, transpessoal e transdisciplinar) que possa oferecer o encontro entre os diversos conhecimentos humanos. O novo fenômeno cultural da globalização, das redes de informação e de comunicação, faz com que atualmente isso seja possível. No entanto, para poder fazer isso, é necessário ter as chaves e alguma capacidade de síntese.

 

A maioria das formações não acadêmicas têm por objetivo o bem-estar físico e psíquico. Isso é importante, mas não essencial. Elas não oferecem o modelo global de que precisamos. Algumas delas são um resultado derivado do conhecimento científico (favorecendo o objeto e não o sujeito) outras são baseadas em ensinamentos com objetivos iniciáticos reais, mas fora do contexto cultural original e do processo que estava lá implícito (em geral é uma tendência que vai na exploração do consciente e não do inconsciente, do visível e não do invisível), o que se torna, então, uma fraqueza, pois um ensinamento iniciático está sempre associado ao simbolismo da “morte” psíquica que permite o renascimento.

 

Os produtos derivados desses ensinamentos e identificados com o pensamento moderno oferecem o movimento inverso: o culto ao indivíduo, ao ego, ao "tudo maravilhoso", “embalagem” associada àquela do pensamento positivo. Sejam quais forem as técnicas e formas oferecidas por esses grupos, se o método é seguido os benefícios que podem se obter são perdidos mais cedo ou mais tarde, uma vez que todo mundo é levado a passar por provações associadas a dificuldades, a limitações, a velhice, a doença e a morte.

 

Nessas formações construirmo-nos apoiados sobre os nossos “maravilhosos” poderes humanos é, nesse sentido, um encontro especialmente "Luciferiano". É necessário compreender os processos e o verdadeiro sentido de nossas provações e das nossas necessidades físicas e mentais. É fundamental penetrarmos no mundo do inconsciente, da sombra e, em algum nível, da morte. É preciso unir luz e sombra para nos abrirmos às raízes mais profundas da vida.

 

Esta operação concreta pode, se for efetiva, proporcionar níveis de energia e forças de regeneração tanto física como psíquica bem superiores àquelas provenientes da ilusão do maravilhoso, do divino e do espiritual tomados apenas como uma idéia, sem realizar o caminho de transformação que tudo isso exige, ou seja, querendo tudo isso de maneira imediata, sem pagar o preço para obtê-lo. Esse é o lema dos tempos modernos.

 

Portanto, é no contexto de um verdadeiro trabalho de autodescoberta, de caminho de transformação, de autoconhecimento e do diálogo transcultural (entre e através e além das culturas), transdisciplinar (entre através e além dos conhecimentos acadêmicos e dos saberes não acadêmicos) e transpessoal (entre através e além do corpo, do consciente e do inconsciente) que várias propostas são apresentadas e disponibilizadas pelo IEDIH.

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